Capitulo 1
Primeiro dia de aula. Eu não tenho um uniforme ainda, e na escola nova, o uniforme nem é obrigatorio, então, estou indo pra escola com uma roupa qualquer. Jeans, All Star, camiseta do Nirvana, jaqueta preta e cabelo preso num coque alto. Não estou nenhum pouco animada com a mudança de escola, afinal, nas outras escolas quase ninguém ia com a minha cara, não vai ser nessa que tudo vai mudar. Pelo menos, é o que eu acho.
Entrei pelo portão da frente na nova escola. Cheguei em cima da hora, o sinal já havia batido a uns 2 ou 3 minutos. A escola é pequena, foi fácil encontrar a minha classe. Uma sala com uma plaquinha escrito 9º ano, que se encontrava no 2º andar do prédio da escola. Examinei aquela pequena sala por alguns poucos segundos antes de por meus pés lá dentro. Entrei, suspirei, vi lá no fundo da sala uma carteira azul e me acomodei nela. Havia um grupinho de uns sete ou oito alunos ouvindo funk, outros três garotos estavam mechendo no celular, outro grupinho, no qual haviam umas quatro pessoas, estavam conversando sobre um festival que iria acontecer daqui alguns dias, duas garotas estão falando sobre o cabelo de uma das garotas do grupinho do funk, havia um menino recolhendo alguns cadernos que estavam no chão e um outro falando no celular com alguém. O professor ainda não chegou, então abri minha mochila, peguei meu bloco de desenhos, meu estojo e procurei por um lápis Nº2. Logo eu estava desenhando um lugar perfeito pra mim, tranquilo, no qual havia apenas uma linda cachoeira, uma casa não tão grande, e nãm tão pequena, feita de madeira e nesse lugar haviam muitas árvores. O professor entrou na sala, alguns foram para seus lugares, outros nem ligaram.
O professor era baixinho, 1,65 no máximo, calvo, usava uma roupa social toda marrom e uma gravata xadrez, tinha uns 40 anos, ou mais.. Ele pediu para alguns alunos se sentarem e logo todos estavam em seus lugares. Ele começou a se apresentar:
-Bom dia classe, eu sou o professor de Física de vocês, muitos de você já me conhecem. Meu nome é André, -Ele andava de um lado para o outro da sala, quando ele passou na frente da porta e ela foi aberta na cara dele.
-Ah não! Me desculpa André, é que... -Disse o garoto que estava com a mão na maçaneta.
Algumas risadinhas corriam pela pequena sala.
-Pode deixar, -ele passava a mão no rosto- esta tudo bem. Vamos logo Alan, se sente!
Olhei fixamente para Alan por alguns segundo, ele era alto, meio malhado, usava um boné da New Era, um jeans com cara de velho, uma camiseta de alguma banda, na qual eu não consegui identificar direto, e uma camisa xadrez aberta. Sacudi a cabeça, tentando prestar atenção no professor. Alan se sentou do meu lado. Pois até então, aquela era a única carteira que estava vazia.
O professor, meio atrapalhado disse:
-Pessoal, eu esqueci minha pasta lá na sala dos professores, e meus livros na diretoria, vou buscar, volto em logo, nada de bagunça!
O professor saiu da sala, voltei ao meu desenho, que estava quase pronto. Deixei o lápis cair sem querer, abaixei para pega-lo, e minha mão se encontrou com uma outra, na qual estava segurando meu lápis. Subi a cabeça para ver quem era. Era Alan. Minha mão imediatamente desencostou da dele e ele estendeu a mão para me entregar o lápis. Peguei com cuidado. E voltei a desenhar. Virei um pouco minha cabeça pro lado, pra olhar pra ele, mas ele já estava olhando pra mim, voltei a olhar para o desenho. Tive a impressão de que ele ainda estava me olhando. Olhei pra ele e sem querer mandei um sorriso tímido ele retribuiu e então ele se levantou e veio até minha mesa e apoiou um dos braços na minha mesa.
-Você é nova por aqui -ele disse.
-Sim -confirmei.
-Gostei do desenho, você quem fez?
-Aham -balancei a cabeça.
-Eu já tentei desenhar, não deu muito certo. Meus desenhos não ficaram bons como o seu.
Não respondi, apenas dei outro sorriso tímido e coloquei minha franja para trás.
-Se precisar de alguma coisa, eu me chamo Alan.
-Me chamo Júlia.
Ele se sentou, e continuou me olhando.
O professor chegou, mandou fazermos duplas. Uma loira,-com certeza, oxigenada - chegou na mesa do Alan , sentou-se na mesa dele e pediu pra fazer dupla com ele. Ele recusou e deu um empurrãozinho nela, tirando-a da mesa.
-Ei, -Alan me chamou- Júlia, senta aqui comigo?
-Tenho escolha? -perguntei.
Ele ficou me encarando com um meio sorriso. Eu virei os olhos disse:
-Ok, você venceu.
Alan puxou minha mesa para junto a dele. Ele não parava de olhar pra mim.
-Por quê? -perguntei-
-O que?
-Por que você fica me olhando?
-Uma garota tão linda, -ele cuidadosamente tirou os cabelos do meu rosto- como você, não tem um garoto que resista não olhar...
Senti um frio na barriga, parecia que haviam borboletas no meu estomago. Entreabri a boca, meio surpresa com o que ele disse.
O professor foi entregando de mesa em mesa uma folha de exercícios de revisão para cada dupla. Eu estava com um pouco de dificuldade para fazer os exercícios, não lembrava a matéria. As aulas foram passando, de vez em quando trocávamos olhares. O sinal do intervalo tocou, fiquei procurando o dinheiro do meu lanche. Acho que perdi ou esqueci em casa.
-Que droga -falei baixinho.
-O que foi? - Alan perguntou.
-Esqueci o dinheiro do lanche em casa.
-Eu pago pra você.
-Sua namorada não ia gostar disso...
-Mas... Eu não tenho namorada!
-Então quem era aquela loira dando em cima de você?
-AH, essa daí é a Fernanda... Ela não é minha namorada, é só uma loira oxigenada oferecida...
-Sei... -Eu disse em tom sarcástico.- Ela estava dando em cima de você!
-É sério, eu não tenho nada com ela, nem amigo dela eu sou! Acredite!
-Esta bem.
-Então, eu posso te pagar o lanche?
-Não.
-Por favor, eu insisto.
-Não!!! -elevei um pouco a voz.
-Para com isso Júlia, eu compro lanche pra você!
-Amanhã eu te pago.
-Não quero dinheiro.
-Quer o que então?
-Seu sorriso.
Olhei para baixo, quase deixei escapar um sorriso bobo, mas me segurei. Olhei pra ele e perguntei:
-Alan, qual é a sua? Você chega numa garota qualquer no primeiro dia de aula, fica falando que ela é linda, quer pagar o lanche pra ela...
-Não é uma garota qualquer... -Ele me interrompeu. Pegou na minha mão e olhou nos meus olhos.- É você! Você parece ser uma garota... Incrível!
-Mas você me conhece só a algumas horas, não sabe nem meu nome inteiro.
-Júlia Santos Faria.
-Como você sabe?
-Está escrito no seu caderno.-disse ele com um sorrisinho.
-Agora pare de dar uma de espertinho e vê se me erra! É melhor você não ficar na minha vida! -disse em tum tom suficientemente rude pra deixar claro que não queria ele por perto. Saí da fila, do lanche e comecei a andar sem rumo pelo patio.
Me sentei numa banco de madeira perto de um gramado ali do pátio, tirei o celular e os fones de ouvido do bolso e coloquei numa música qualquer. Fiquei sentada ali por algum tempo vendo os outros alunos conversando, caminhando, lendo, etc. O sinal tocou, subi de volta pra minha sala. Alan ainda não chegou . Sentei-me, guardei o celular e os fones e fiquei de olho na porta, esperando Alan chegar. Não sei bem porque estou me preocupando com ele, é como se mesmo tendo passado só alguns minutos longe dele, ele me faz falta de alguma forma. Acho que estou ficando doida, eu conheço esse garoto só a algumas horas e ele de certa forma, ele meche com minha cabeça.
Fernanda passou pela minha mesa e deixou um bilhete amassado. Estava escrito:
Novata, se você acha que vai conseguir com que o MEU Alan fique com você, pode esquecer! Espero não ver vocês juntos de novo viu queridinha?
Olhei pra ela, e ela estava me encarando e disse "MEU" bem baixinho. Eu definitivamente, não gostei dessa garota! Alan entrou na sala cabisbaixo, se sentou-se do meu lado, estava muito quieto. Talvez eu não deveria ter sido tão rude com ele. Cheguei mais perto dele, e perguntei bem baixinho:
-O que foi?
Ele não respondeu, e nem se quer olhou pra mim.
-Fui eu né? Me desculpa, eu sei que fui bastante rude, me desculpe mesmo! Não devia ter falado com você daquele jeito.
Alan suspirou, olhou pra mim, deu um sorriso amigável e disse:
-Esta tudo bem Jú, é que... Ah não é nada.
-Então, você não está bravo comigo?
-Claro que não! Bom, eu fiquei um pouco chateado com o que você disse, mas você já pediu desculpa.
-Mas pela sua carinha, ainda não esta tudo bem. Me fala o que foi, vai?
-Quem sabe outra hora.
Ah o amooor...!
ResponderExcluirtambem achei um amor gostei da historia
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